quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Como sabemos que a pandemia acabou?

Perguntas e respostas sobre a fase pós-pandêmica da gripe suína. Parte 1. 
Organização mundial da Saúde
Após o anuncio do fim da pandemia de gripe, muitas pessoas ficaram com dúvidas. Portanto fiz uma tradução e síntese de um artigo publicado pela Organização Mundial da Saúde. O artigo responde perguntas sobre o fim do período pandêmico. Vou fazer um post para cada pergunta e resposta.

Como sabemos que a pandemia acabou?
 
A pandemia de H1N1 foi caracterizada pelo surgimento de um novo vírus da gripe para o quais muitas pessoas não tinham imunidade pré-existente.  O vírus da gripe suína  causou surtos extensos e incomuns nos meses de verão em vários países e níveis de infecção muito elevados nos meses de inverno.  O H1N1 também foi caracterizado por sua ampla prevalência sobre os vírus sazonais além, de padrões clínicos incomuns onde os casos mais graves ocorreram na maioria das vezes nos grupos etários mais jovens.

 No momento atual o vírus se espalhou para todos os países e com isso muitas pessoas de todas as faixas etárias têm alguma imunidade ao H1N1. O vírus também não causou nenhum foco extenso no verão e sua prevalência está diminuindo no mundo.

Com base neste quadro geral, as evidências são fortes de que os padrões recentes da pandemia estão transição para padrões sazonais de gripe.

É esperado que o vírus H1N1 possa permanecer circulando ainda por muitos anos e que os surtos sazonais seja altamente variável.  Em alguns anos, o impacto pode ser leve, enquanto em outros anos, pode ser bastante grave.

 Além disso, é mais provável que, por algum tempo, os grupos etários mais jovens e as mulheres grávidas, continuará a ser desproporcionalmente afetados pela forma mais grave da doença, incluindo pneumonia viral.  É impossível prever se os jovens continuarão a ter maior risco a longo prazo ou quando essa tendência vai mudar.  Diante desse quadro é importante que as pessoas continuem a tomar medidas de prevenção.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A pandêmia terminou. A gripe suína (H1N1) não é mais pandêmico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça feira (10/09) que o vírus da gripe suína, dentro de seu sistema de classificação, está na fase pós-pandêmica.

Classificação da pandemia em fases segundo a OMS.

O período pós-pandemia não indica que o H1N1 desapareceu. Com base na experiência com as pandemias anteriores, esperamos que o vírus H1N1 venha assumir um padrão de infecção como as vistas pelos vírus sazonais e que continuem a circular nos próximos anos.

Focos localizados de diferentes magnitudes em relação à transmissão do H1N1 podem ocorrer. Esta é a situação vista atualmente na Nova Zelândia e Índia.

Durante a pandemia, o vírus H1N1 se tornou o vírus dominante. Isso não é mais o caso. Muitos países estão relatando atividade de diferentes vírus da gripe, como é geralmente observado durante epidemias sazonais. Todos os anos, circulam pelo globo, vírus da gripe do tipo B, do subtipo H3N2 e do subtipo H1N1. Estes vírus são chamados de sazonais e estão presentes na vacina que é dada anualmente para os idosos aqui no Brasil. No ano passado, o H1N1 pandêmico (que é diferente do H1N1 sazonal dos anos anteriores) se tornou prevalente, ou seja, provocou a maioria dos casos de gripe. Porém, atualmente o H1N1 pandêmico não é mais prevalente e casos de gripe provocados por vírus do tipo B e do subtipo H3N2 estão sendo relatados.

Estudos recentemente publicados indicam que 20-40% da população foram infectadas pelo vírus H1N1 e, portanto, têm algum nível de imunidade protetora. Muitos países relataram boa cobertura de vacinação, especialmente em grupos de alto risco, e isso aumenta ainda mais a cobertura de imunidade. A existência de imunidade prévia é requisito importante para que um vírus pandêmico se torne sazonal e em consequência, dentro do que é esperado, mais brando em relação a duração e a gravidade dos sintomas.

A ocorrência de pandemias são imprevisíveis. Portanto, a vigilância constante é extremamente importante. A OMS emitiu recomendações sobre a vigilância, vacinação e manejo clínico durante o período pós-pandemia.

Com base nas evidências disponíveis e na experiência de pandemias anteriores, é provável que o vírus continue a causar doenças graves nos grupos etários mais jovens, pelo menos no período imediato pós-pandemia embora, seja esperado, que o número de casos diminua.

Felizmente este vírus não assumiu uma forma mais letal, não desenvolveu resistência generalizada ao oseltamivir e foi de modo eficaz combatido pela vacinação.

Apesar do fim do período pandêmico, não devemos descuidar dos cuidados já veiculados pelo ministério da saúde. O uso de álcool gel e o abito de lavar as mão com frequência, bem como o não compartilhamento de objetos pessoais e o ato de cobrir a boca e o nariz no momento do espirro e tosse deve continuar pois assim estaremos evitando a disseminação de muitas doenças incluindo o vírus da gripe sazonal.

Esperem os próximos posts para maiores detalhes sobre o fim do período pandêmico.

Fim da pandemia de gripe suína - H1N1.

Mais informações em alguns minutos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Situação atual da gripe suína e tendência futura.

Neste ano o Brasil contabilizou 7.289 casos de síndrome gripal, dados contabilizados até 17 de julho. Deste total, 10% foram confirmados para a gripe suína. Vale ressaltar que possivelmente estes números sejam maiores, já que somente são testados para o H1N1 os pacientes graves. O total de mortes até o momento é de 91 casos. O norte do país lidera com 44 mortes (48,4% do total), o nordeste teve 17 óbitos (18,7%), a região sul apresentou 16 mortes (17,6%), o sudeste teve 11 óbitos (12,1%) e o centro-oeste teve 3 (3,3%) mortes causadas pelo H1N1 pandêmico(1). Só para lembrar, em 2009 o Brasil teve 2051 óbitos provocados pela gripe suína(2). Portanto, este ano a gripe suína está provocando bem menos mortes no país. Vamos fazer uma análise sobre as tendências futuras. Abaixo apresentaremos um gráfico do Ministério da Saúde (MS) com a porcentagem dos atendimentos de casos de  síndrome gripal em relação a todas as outras doenças atendidas pelas unidades sentinela(2) e um gráfico apresentado pelo Google flu trends(3).

Gráfico do Ministério da Saúde (2009) mostrando a porcentagem de atendimentos de síndrome gripal em relação às outras doenças.

Gráfico do flu trends mostrando dados de 2009 (linha mais clara) e os dados de 2010 (linha mais escura).

O gráfico do Google é montado a partir dos termos de busca utilizados no site. O Google assume que quanto maior a busca por termos relacionados a gripe mais pessoas estão com os sintomas e, portanto pode inferir a atividade viral que é classificada de mínima a intensa(4). Podemos ver pela comparação do gráfico do Google é semelhante ao gráfico apresentado pelo MS em 2009. Com isso podemos inferir que os dados do Google de 2010 é um bom indicador da atividade do vírus da gripe. Com a análise da linha mais escura podemos ver que a tendência atual é de queda na atividade gripal e que em 2010 a quantidade de pessoas infectadas é menor que as de 2009. Esse poste corrobora com o anterior que fala sobre uma possível alteração da fase pandêmica atual que é de 6 para a fase pós-pico pandêmico. A alteração de fase é feita pela Organização Mundial da Saúde. Vamos esperar pelos próximos boletins do MS para ver se a tendência de queda se confirma.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Período pandêmico do vírus H1N1 (gripe suína) pode estar no fim.

Com exceção de regiões tropicais localizadas do sul e sudeste asiático, caribe e América Central e Oeste africano, as demais regiões do mundo têm assistido uma queda na circulação do vírus pandêmico H1N1. A ocorrência de gripe está em nível próximo de anos anteriores ao surgimento da gripe suína no mundo. Com isso, é esperado que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifique o H1N1 como sazonal nos próximos meses. Segundo a classificação da OMS o mundo está em fase pandêmica 6, a mais alta na escala. A próxima fase na escala é classificada como período pós pico pandêmico, que é caracterizada pela queda na circulação do vírus causador da pandemia na maioria dos países. A OMS está esperando passar o inverno no hemisfério sul para anunciar o período pós pico.

Apesar da boa notícia, o Brasil até o dia 05 de julho, contava com o total de 84 óbitos¹. O estado do Paraná em contagem mais recente (19/05), apresentou 15 óbitos.² Na contagem do Ministério da Saúde¹ a região Sul inteira apresentou 12 óbitos (dados de 05/07). Através desta análise a circulação do H1N1 ainda está crescendo neste inverno.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mudanças no blog e mais informações.

Seguindo as sugestões de algumas pessoas estou alterando a aparência do blog. Além das mudanças no visual, acrescentamos um FAQ sobre a gripe suína. Na coluna ao lado, na seção "Mais informações" clique em "Perguntas frequentes (FAQ) - Gripe Suína". Esta seção será ampliada constantemente. Será ainda colocado um botão do site formspring.me que é um site onde perguntas sobre qualquer assunto podem ser feitas as pessoas. Portanto o blog possui dois canais para as pessoas que querem saber mais sobre a influenza, os comentários dos posts e o site formspring.me. Quem quiser utilizar o site citado para tirar dúvidas clique em formspring.me. Abraço a todos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vacina contra a gripe suína contém mercúrio - Fatos e Boatos.

E-mails com informações falsas a respeito da vacina contra a gripe suína têm se difundido na internet. Estas ocorrências indesejadas sensibilizaram o Ministério da Saúde que publicou dia 24 de março um documento para desmistificar os boatos. Parte dos boatos se referem a relação do mercúrio presente nas vacinas com casos de autismo. O mercúrio é utilizado para impedir o crescimento de bactérias e fungos nas vacinas. A quantidade utilizada por dose de vacina (0,5 mL) é de 25 microgramas, além disso, o mercúrio é utilizado em várias outras vacinas como na tetravalente, tríplice viral, nas vacinas contra caxumba entre outras. Além do mercúrio, o dito e-mail ainda faz referência ao timerosal como causa de autismo, no entanto, este conservante que também visa impedir o crescimento de micro-organismos nas vacinas é utilizado em diversas vacinas desde 1930 e nunca ouve relato ou associação desta substância com o autismo. Também é citado o esqualeno, que existe em algumas vacinas, como causador de problemas imunológicos. O esqualeno é um adjuvante que visa à diminuição da quantidade do antígeno (substâncias que ativam a resposta imunológica) nas doses vacinais e uma proteção de longa duração. Terminando a lista de absurdos: as vacinas não possuem células cancerígenas de animais que podem causar câncer nas pessoas, as indústrias farmacêuticas não possuem imunidade judicial contra problemas que venham a causar nas pessoas. Vale ressaltar que a composição da vacina da gripe é recomendada pela Organização Mundial da Saúde, portanto fabricantes de vacinas que não seguirem suas recomendações ou se produzirem vacinas contendo qualquer substância não autorizada ou prejudicial, seja devido a acidente ou propositadamente serão recolhidas pelos órgãos de vigilância sanitária e o fabricante será autuado e responsabilizado pelos eventuais danos a saúde dos pacientes. A vacina é segura, estes e-mails são um desserviço a população e a meu ver é um crime intolerável que pode causar a morte de pessoas que não venham a se vacinar por conta dos absurdos que veicula. Para tirarem as dúvidas a respeito do mercúrio e o autismo, eu coloquei abaixo dois trabalhos científicos de 2010 (em inglês) nos links abaixo, o primeiro é um resumo sobre as causa do autismo e o segundo é um trabalho completo feito com o objetivo de determinar se o mercúrio causa autismo, o resultado deste trabalho, já adianto, é que o mercúrio não causa autismo.

1 - Trabalho científico - Causas do autismo (resumo) em inglês.

2 - Trabalho científico - Concentração de mercúrio no sangue, um estudo feito em crianças com e sem autismo (completo) em inglês.

3 - Nota do Ministério da Saúde esclarecendo os boatos sobre a vacina.