terça-feira, 31 de março de 2009

índia, H5N1 provoca surto em aves.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou hoje que 363 aves morreram devido à gripe aviária na Índia, isto corresponde a 100% das aves criadas em uma área rural localizada na Bengala Ocidental. Aparentemente estas aves eram criadas para consumo próprio dos moradores da localidade, ou seja, eram criadas sem controle e medidas de biossegurança. Este é o oitavo surto ocorrido na Bengala Ocidental este ano. O surto ocorreu no dia 17/03/2009 e ainda está em aberto devido a investigações epidemiológicas que estão em andamento. A origem do vírus é desconhecida, mas a hipótese mais provável é que o H5N1 tenha vindo junto com aves infectadas que foram introduzidas no plantel ou mesmo devido à movimentação de equipamentos, veículos ou insumos contaminados.
http://www.oie.int/wahis/reports/en_fup_0000007937_20090331_154205.pdf

A infecção de aves criadas para subsistência em áreas rurais ou urbanas é o maior perigo para as criações comerciais de grande porte. Quando um surto ocorre, todas as aves domésticas em um raio de 3 quilômetros são sacrificadas, fora isso, controle no fluxo e comercio de aves é proibida em um raio de 10 quilômetros até que o surto esteja terminado e medidas de desinfecção tenham sido tomadas. Isto representa um enorme prejuízo para os criadores comerciais que acabam com seu plantel eliminado devido a vizinhos que criam aves sem nenhum controle sanitário. A criação para subsistência é denominada na maior parte dos artigos científicos como criação de fundo de quintal (backyard poultry) e se caracteriza, em sua maioria, da criação de aves sem controle sanitário, soltas em um quintal, quantidade pequena de aves e com contanto direito ou indireto com aves silvestres e ambientes que podem estar contaminado com o H5N1 e outros microorganismos.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Egito faz bom trabalho no tratamento de pessoas infectadas, mas falha em impedir que a doença acometa novas pessoas. Nono caso confirmado.

Hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou um novo caso humano de gripe aviária no Egito. Desta vez a vítima foi uma menina de dois anos e meio de idade que se infectou ao entrar em contato com aves doentes ou mortas na província de Qena (ver mapa abaixo). Os sintomas da menina se iniciaram no dia 23/03, no dia seguinte ela foi hospitalizada. O tratamento da menina começou no mesmo dia de sua internação com a administração de oseltamivir. Seu estado de saúde é estável.
O Egito tem sido competente no tratamento das pessoas infectadas com o H5N1, no entanto, falha ao impedir que novas pessoas venham a se infectar (ver foto abaixo). Este ano, nove pessoas se infectaram no Egito, oito delas são crianças pequenas, isto ainda é um mistério pra mim. Sobre este assunto, John Jabbour (epidemiologista sênior da OMS) especula que o aumento do número de casos em crianças abaixo dos 3 anos de idade ocorre porque as famílias já não estão alertas sobre os riscos de contaminação e com isso, não estão tomando precauções básicas para com suas crianças. A OMS solicitou ao Ministério da Saúde Egípcio que investigue o motivo pelos quais as crianças estão sendo as maiores vítimas do vírus da gripe aviária. Existe ainda um agravante para o controle do H5N1 em aves no Egito. Sayyed, ministro adjunto da saúde no Egito, disse que os criadores de aves estão relutantes em comunicar os casos suspeitos por medo de que os funcionários da saúde não apenas abata as suas aves mais também sacrifique as aves de seus vizinhos.

Foto mostrando um mercado livre na cidade do Cairo, Egito. Ambientes como o da foto facilita a contaminação de pessoas e de outras aves. Aqui em São Paulo existe um controle maior, aves vivas não são mais vendidas em mercados. No mercado municipal de Pinheiros eram vendidas aves vivas em um modelo como o da foto, no entanto, a cerca de dois ou três anos atrás este tipo de comercio foi proibido pela vigilância sanitária. O Brasil que nunca teve nenhum casos de gripe aviária já tomou algumas medidas básicas, porque o Egito que já teve 60 pessoas infectadas não faz o mesmo? É necessário ressaltar que o controle na venda de aves vivas nos mercados, como feito aqui em São Paulo, evita que uma série de outras doenças microbianas se alastrem entre os planteis aviários e seja uma ameaça a saúde das pessoas.


Em laranja estão marcadas as províncias que tiveram casos humanos de H5N1. Em vermelho está marcada a província com o caso mais recente de gripe aviária. Se o vírus se alastrar para províncias mais ao sul do Egito ele pode ultrapassar a fronteira e contaminar aves e pessoas do Sudão.

quinta-feira, 26 de março de 2009

H5N1 - Transmissão, Sintomas e Tratamentos da Gripe Aviária.

A transmissão do H5N1 para pessoas ocorre pelo contato direto com aves contaminadas ou recentemente mortas pela doença. Como o vírus da gripe aviária não é eficiente na infecção de células humanas sua transmissão entre pessoas até o momento foi rara e isolada. Por este mesmo motivo a transmissão é dificultada pelo contato indireto. As aves contraem o vírus facilmente através de equipamentos, ambiente ou veículos contaminados, as pessoas não. Portanto para uma pessoa contrair a doença é necessário a sua exposição a uma alta carga viral só encontrada nas próprias aves infectadas.

Esta figura ilustra os modos de transmissão. As setas vermelhas indicam as vias de transmissão do H5N1. As setas circulares indicam que o vírus está circulando nas aves portadoras, sejam elas selvagens ou domésticas. Frangos e codornas geralmente morrem rapidamente, cerca de 24 horas do início dos sintomas. As setas pontilhadas indicam prováveis vias de transmissão viral às pessoas, no entanto estas vias ainda não foram completamente elucidadas.

Os sintomas são semelhantes com os sintomas provocados pelos vírus da gripe comum, no entanto tendem a se agravar com o decorrer dos dias. Os sinais clínicos da doença são: febre alta, acima de 38 graus, tosse, dores musculares, de cabeça, de garganta e dificuldades respiratórias. Normalmente os casos de pessoas infectadas com o H5N1 progridem rapidamente para um quadro de pneumonia dupla. As complicações clínicas incluem insuficiência respiratória aguda, insuficiência cardíaca e em menor proporção disfunção renal. Abaixo links para um trabalho científico realizado com 26 pacientes chineses (em inglês).

Radiografias de tórax tiradas de um homem de 35 anos. A radiografia mostrada na figura A foi tirada no sexto dia após o início dos sintomas, na figura B a radiografia foi tirada no vigésimo terceiro dia da doença.

O tratamento para os pacientes com gripe aviária é feito para combater os sintomas e o vírus ao mesmo tempo. Para o tratamento dos sintomas são utilizados, basicamente, medicamentos de combate a dor, antiinflamatórios e antibióticos para a prevenção de infecções bacterianas. Quando o quadro clínico piora, procedimentos para a manutenção da vida são implementados, entre eles a entubação. Para combater o vírus da gripe, alguns antivirais são utilizados, entre eles estão: amantadina e rimantadina (inibem a liberação do material genético viral no interior das células hospedeiras), ribavirina (interfere na produção do material genético do vírus), oseltamivir e zanamivir que atuam na inibição da neuraminidase que é uma proteína que fica na superfície do vírus. A neuraminidase atua no desligamento das partículas virais nascentes de suas células genitoras e favorece que estes infectem novas células no interior do hospedeiro. Portanto o oseltamivir e o zanamivir impedem ou pelo menos diminuem a capacidade dos vírus da gripe de infectarem novas células no interior do paciente. Destes dois, o oseltamivir parece ser o mais eficaz dos antivirais e é também o mais utilizado nos pacientes infectados com o H5N1.

terça-feira, 24 de março de 2009

Egito, oitavo caso humano de gripe aviária.

Foi informado dia 23/o3/09, pela Organização Mundial de Saúde, mais um caso de infecção humana pelo vírus da gripe aviária no Egito. Desta vez, diferente de todas as outras ocorridas neste ano, foi um mulher de 38 anos que contraiu a doença, todos os outros casos haviam sido de crianças pequenas. A mulher é moradora da província de Assiut e seus sintomas começaram no dia 14 de março, mesmo dia de sua internação. Ela está sendo tratada com oseltamivir, um antiviral específico para o vírus da gripe. A moça teve contato com aves doentes e mortas antes do início dos sintomas que compreendeu dores de cabeça e febre. Seu estado de saúde permanece estável. Dos oito casos de gripe aviária acometendo pessoas no Egito, nenhuma veio a óbito. O início rápido do tratamento com o oseltamivir neste e nos outros casos parece que está dando resultados e salvando a vida dos pacientes. Abaixo está o mapa das províncias que apresentaram casos humanos de gripe aviária. Em vermelho está à província que apresentou o caso de gripe aviária mais recente, as províncias marcadas em laranja são aquelas que apresentaram casos humanos da doença este ano mas em datas anteriores.
http://www.who.int/csr/don/2009_03_23a/en/index.html

Se o sistema de saúde Egípcio está trabalhando bem nos casos de gripe aviária humana, o mesmo não se pode falar do monitoramento dos surtos de H5N1 em aves. Neste ano o Egito ainda não fez nenhuma notificação oficial de gripe aviária nos plantéis avícolas do país. Este dado chama a atenção porque em todos os oito casos humanos de gripe aviária a fonte do vírus foram aves doentes e mortas. Como pode as pessoas terem contraído a doença de aves infectadas sem que o governo Egípcio notificasse a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Parece que só se encontra aves infectadas depois que o vírus acomete as pessoas. O Egito tem que intensificar o monitoramento das aves para evitar que novas pessoas se infectem. Essa aparente omissão do governo não se justifica, já que metade de sua população vive na zona rural de um país que possui menos de 4% do seu território viável para a agricultura.


quarta-feira, 18 de março de 2009

H5N1 em aves na India e Bangladesh.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) anuncio novos surtos de gripe em aves em Bangladesh e na Índia. No dia 12/03 foi informado que Bangladesh havia detectado novos surtos aviários. Os distritos afetados foram Thakurgaon, Chittagong, Gaibandha e Netrokona. Para conter os surtos 5070 foram abatidas e outras 911 morreram em decorrência da doença. Ainda não se sabe como o vírus chegou a estes distritos. Abaixo um mapa de Bangladesh com os distritos onde os surtos ocorreram em vermelho.



Na Índia foi registrado um surto no distrito de Darjeeling que faz fronteira com Bangladesh. Morreram 4 aves devido à gripe aviária, outras 1100 aves são suscetíveis a doença, no entanto, ainda não foi informada a quantidade de aves que foram abatidas na tentativa de impedir que o vírus atinja novas regiões. A origem viral é desconhecida, entretanto Darjeeling é famosa produtora de chá, pode ser que o vírus veio de Bangladesh devido ao comercio de chá entre os dois países.



quarta-feira, 11 de março de 2009

Egito, sétimo casos humano de gripe aviária.

Foi informado hoje pela Organização Mundial de Saúde mais um caso de infecção humana provocado pelo H5N1. Dessa vez a vítima foi uma menina de um ano e meio. Moradora da província de Menofia, a criança teve contato com aves doentes ou mortas antes do início dos sintomas no dia 06/03. Seu estado de saúde permanece estável. As crianças pequenas do Egito gostam de brincar com aves mortas e doentes, espero que essa moda não cheque ao Brasil. Abaixo, mapa do Egito com as províncias que tiveram casos humanos de ontem e hoje marcados em vermelho.

Alemanha encontra marreco selvagem com H5N1.

A Alemanha analisou amostras de 39 aves caçadas na província de Bayern, uma ave estava contaminada. Segundo o Ministério Federal de Proteção Alimentar, Agricultura e Consumidor foram mortos em janeiro 4 gansos do Canadá (Branta canadensis) e 35 marrecos (Anas platyrhynchos)(fotos abaixo), destes apenas um marreco estava contaminado com o H5N1. O marreco contaminado estava saudável, apresentando apenas sinais subclínicos da doença, o que é normal devido os anseriformes (grupo dos patos, gansos, cisnes, marrecos e afins) serem portadores assintomáticos da doença. Isto quer dizer que estas aves podem transmitir o vírus da gripe aviária sem que fiquem doentes. Como os anseriformes formam grupos sociais, a transmissão viral entre eles é comum. A fonte da infecção é desconhecida, no entanto, é provável que esteja circulando na população destes marrecos. Dentre as medidas tomadas pela Alemanha está o controle e monitoramento dos reservatórios silvestres. Apenas hoje é que os dados alemão foram enviados a Organização Mundial de Saúde Animal.


Estes dados têm importância para o Brasil porque o Anas platyrhynchos é também nativo dos Estados Unidos e Canadá e apesar de não existirem no Brasil, eles habitam as mesmas regiões que o Anas acuta e Anas discors que migram destes países para o Brasil todos os anos, assim, estes marrecos podem se infectar nos países americanos do hemisfério norte e trazerem o H5N1 para nosso país.